quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Existiram heróis na ditadura militar?

Por Vaninha Black

Após a leitura do livro 1968 - O Ano Que Não Terminou, de autoria de Zuenir Ventura, percebi o quanto era inocente em relação a um assunto no qual me despertava tanta curiosidade. Não tinha a dimensão do quanto foi intenso o regime militar e muito menos o significado do ano de 1968 para o Brasil e o mundo. Era muito superficial meu conhecimento sobre o assunto. A primeira vez que estudei, foi na antiga 8ª série (atual 9ºano). Me fascinavam as músicas e a luta por um mundo melhor de artistas que até hoje influenciam e têm importância no cenário musical. A Passeata dos Cem Mil me fez admirar a coragem das pessoas em escancarar um NÃO a ditadura, um NÃO a violência. Alguns defendiam que, com o povo armado, a ditadura iria ter fim, outros que com o povo organizado  a ditadura iria ter fim. Embates pesados, relato de uma verdadeira guerra, descobertas através da  leitura deste livro por alguém que pensava que Guerra era só entre EUA e Iraque e que nesse país nunca houve algo tão cruel. Engano meu em pensar assim.

Então entra a questão: se os estudantes lutavam contra a repressão, a falta de liberdade, a violência com que eram tratados, por que pagar com a mesma moeda o mal que lhe fizeram? Lutar com as “mesmas” armas (no que se trata da violência, pois o exército era muito mais preparado - canhões, camburão, fuzis, metralhadoras - para guerra do que os estudantes, pois os últimos tinham instrumentos arcaicos como pedra e pedaços de pau) de quem tanto se critica! Levar a ferro e fogo o ditado “Olho por olho, dente por dente”?! Roubos, sequestros, assassinatos em ambos os lados fazem pensar se existiu o certo ou errado.

Certo ou errado? Quem estava certo, quem estava errado? Ou será o certo não avaliar desse modo tão radical, e crer na existência de que certo ou errado é apenas um ponto de vista? Ponto de vista de ver quem eram os heróis, quem foram os vilões, ou se não existiram de fatos heróis e vilões e sim, dois lados lutando por aquilo que acreditavam que era melhor para uma nação chamada Brasil.


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